sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Apophanous: Navegando entre vários elementos



Por Vitor Franceschini

São dois anos de formação e com o lançamento do primeiro EP “Obliteration Has Come”, os paulistanos do Apophanous já conseguiram abalar as estruturas do underground nacional. Porém, a banda não investe em nada simples, sendo que seu som é uma mescla entre o Thrash e o Death Metal com nuances de Progressivo. Para falar sobre o EP, a banda em si, conceitos do disco e o futuro, quem conversou com o ARTE METAL foi o vocalista Vitor Alcantara. Completam o time Tiago Lima (guitarra), Álvaro Albuq (baixo) e Fábio Trevisan (bateria)

Primeiramente gostaria que você apresentasse a banda pros leitores, já que o Apophanous surgiu recentemente, mais precisamente em 2015. Enfim, qual a escola ‘metálica’ de vocês, experiências anteriores...?
Vitor: A banda é formada por Álvaro Albuq (Baixo), Fabio Trevisan (Bateria), Tiago Lima (Guitarra) e eu (Vitor) nos vocais. O Fábio e eu já tocávamos juntos em outras bandas, sem muita pretensão e sem desenvolver trabalhos autorais. O Álvaro já tocou em algumas bandas na cidade de Bertioga e é ativo na cena local. Já o Tiago é o mais escolado de todos nós, passou pelas bandas Cimeries, Everhate e outras bandas em Juazeiro do Norte/CE, cidade onde morou antes de vir pra São Paulo.

E como foi compor o EP “Obliteration Has Come”? Por se tratar de um material de estreia sentiram mais responsabilidade, pressão e/ou apreensão na hora de compor e gravar o material?
Vitor: O processo de composição ocorreu de forma bem natural, sintetizando nosso ímpeto por fazer um som de qualidade, pesado autoral e que carregasse a essência de tudo que nós gostamos de ouvir e tocar. Sempre procuramos levar a banda e o processo de composição da forma mais profissional possível, ainda que nossa experiência fosse pouca. A gravação do material foi um grande momento, pois para a grande maioria dos integrantes da banda, este era o primeiro contato com um processo de gravação profissional em estúdio. O EP foi gravado no IMF Estúdio com o Tito Falaschi encarregado das capturas e da mixagem, o que também serviu para elevar nosso nível de responsabilidade.

Aliás, a proposta da banda é complexa e gira em torno do Thrash e Death Metal com o Progressivo. Essa sonoridade sempre foi a proposta inicial ou fluiu de forma natural?
Vitor: A proposta da banda foi sendo criada conforme a gente progrediu com as composições. Nossas primeiras composições são grandes experimentações nossas, navegando entre vários elementos que gostamos e isso ajudou para construirmos nossa identidade e definirmos a proposta da banda como está hoje.

Vocês conseguem aliar peso e agressividade às quebradas, mudanças de andamentos e variações, e ao mesmo tempo serem objetivos. Houve uma preocupação maior com isso? É muito comum bandas se perderem com esses elementos...
Vitor: Desde o início, como tivemos todo o trabalho de experimentar as diversas essências e influências de cada integrante, houve uma grande preocupação em aliar todos esses elementos sem que parecesse uma colcha de retalhos de várias influências ou uma virtuosidade jogada e sem sentido, trabalhamos para que as variações não se perdessem ou comprometessem a “vida” da música.

Outro fator importante fica por conta de vocês conseguirem ter criado certa identidade já no primeiro trabalho. Vocês notaram isso?
Vitor: Esse foi o resultado de toda a nossa experimentação. O fato de termos as mesmas vontades e termos influências semelhantes e derivativas ajudou na soma de tudo e o resultado final foi essa identidade. Nosso processo de composição é demorado e algumas músicas levaram bons meses até que estivéssemos satisfeitos. Algumas inclusive não estamos satisfeitos até hoje (risos). 



Por fim, na questão sonora de “Obliteration Has Come”, o disco possui uma produção natural que foge um pouco da artificialidade encontrada nos dias atuais. Como foi trabalhar nisso? O resultado final agradou?
Vitor: Nós gostamos bastante do resultado e da qualidade final do EP. A produção foi feita por nós e queríamos que soasse moderno, porém sem exageros que deixassem o som artificial demais. 

Falando agora das temáticas. O que vocês procuram abordar em suas composições?
Vitor: A temática da banda gira principalmente em torno da psique humana. Distúrbios psicológicos, conflitos internos, etc. Algumas letras buscam expor esses temas de maneira metafórica e até usando algumas referências e inspirações de filmes ou séries. A música Bright Evil Eyes, por exemplo, faz uma referência à Game of Thrones logo no primeiro verso, mas trata de maneira metafórica sobre a questão das consequências e responsabilidades de nossos atos. Death Drive, última faixa do EP e que possui um Lyric Video no YouTube fala sobre ‘pulsão de morte’, um termo usado pelo psicanalista Freud para explicar, basicamente, a razão pela qual às vezes somos impulsionados à cometer os mesmos erros mesmo sabendo do resultado ruim.

Por sinal a capa do EP é bem legal e traz uma cena interessante, que pode ser analisada por horas (imagina isso num vinil!?). Como foi o processo de escolha e concepção da mesma?
Vitor: A capa foi feita pelo Bruno Guia, da Tesgui Publicidade e grande amigo da banda. Segundo as palavras do próprio: “Quando ouvi o som da banda pela primeira vez, foi como se um lutador de boxe me acertasse com o melhor braço bem no meio da orelha. O impacto foi imediato, sem exagero. No momento em que surgiu a oportunidade de trabalhar na arte do EP, foi como se eu transferisse todo o sentimento daquele ‘soco’ para o palco daquele editor de imagens. A música não saiu do fone de ouvido enquanto eu não acabei o projeto. Refleti todo o sentimento de angústia, revolta e adrenalina que sentia naquele momento.” O Bruno também trabalhou no logotipo da banda e no Lyric Video da música Death Drive.

Como tem sido a recepção de “Obliteration Has Come”, tanto por parte de púbico nacional e estrangeiro, além da mídia especializada?
Vitor: A recepção tem sido ótima, tivemos diversas resenhas positivas em sites aqui no Brasil e em alguns sites lá fora. O que nos rendeu a participação em duas coletâneas internacionais (uma em Portugal com a revista Ultraje e outra com a Imperative Music, que deve sair ainda este ano). Por parte de público a recepção também foi muito boa. Nós tínhamos certo receio devido ao som ser bastante variado, mas no final isso acabou resultando em um público diverso gostando do nosso trabalho.

O trabalho saiu no ano passado, então provavelmente vocês já devem estar trabalhando em novo material. O que podem nos adiantar em relação a isso?
Vitor: Nós estamos trabalhando nas composições de nosso debut álbum. Temos algumas músicas prontas. Uma delas inclusive já foi tocada ao vivo em alguns shows e trata-se da Born With The Evil One que é inspirada na história do Serial Killer Ted Bundy. As demais estamos naquele processo de ajustar as variações e buscar ir além do nosso limite. Temos com o disco uma responsabilidade enorme de superar os resultados do EP, uma vez que a comparação será natural. Em breve teremos mais novidades sobre o novo álbum!


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